terça-feira, maio 20, 2008

cheers



morreu hoje uma amiga tua. conheciam-se há cerca de 7 anos, mas desde aí mantiveram uma amizade constante e bem disposta. uma amizade sobretudo de jantares e saídas e passagens de ano. lembraste-te especialmente dos jantares, de estares sentado com ela várias vezes à mesa. eram ambos adeptos de beber champagne durante as refeições. eram ambos adeptos de vinho e cigarros e bons restaurantes. gostavas da forma arrastada como ela dizia o teu nome. gostavas de forma como ela se mostrava sempre contente por te ver. de como se ria das tuas piadas. não era uma amiga intíma, mas era uma amiga com quem estavas várias vezes, mais vezes até do que outros amigos e amigas que poderias considerar mais chegados. só no último ano, já depois dela receber as más notícias - embora sem nunca saber quão más - jantaram várias vezes. no carnaval na bica do sapato. no lucca, pouco depois (ou pouco antes). num restaurante indiano, onde fizeram questão de ficar ao pé um do outro (ainda te lembras do péssimo gin tónico que beberam antes de jantar). nos santos populares, numa tasca da bica, onde tiveram horas em pé antes de arranjar mesa. em julho, num páteo em alcântara, e em setembro, no terraço do hotel do Bairro Alto. E, por fim, perto do Natal, onde ela te contou que tinha recebido notícias não muito boas - outra vez. é inevitável que a associes a bons momentos. foram sempre (ainda que mitigados por uma ou outra confidência - lembras-te dela a chorar no parque do estacionamento do Saldanha por causa de uma discussão completamente idiota durante o jantar). hoje no velório só pensavas que era por causa de pessoas como ela que os funerais irlandesdes fazem algum sentido. por isso, aqui vai: cheers, mais dear, wherever you are. and thank you. que tivéssemos feito mais vezes tchin-tchin.

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segunda-feira, maio 05, 2008

Hell Week

2ª Feira, 0041. Perdido no Porto (apropriadamente ao som do novo disco dos Portishead), à procura do Hotel que já não se chama Meridien e por isso podes ter passado por ele sem dar conta. Em desespero de causa, segues um táxi que te leva lá por cinco euros.
3ª Feira, 21. 37: Tu e um fulano de fato de treino preto brilhante estãos os dois sentados na garagem do prédio dele (dentro do carro), que era suposto ser nas Olaias mas afinal é mesmo em Chelas, a preencher a declaração amigável. Ele não sabe preencher formulários e suspeita das tuas sugestões, o que não é de todo absurdo uma vez que acabaste de lhe bater com o carro. Moradores do prédio entram e saiem da garagem observando-os com interesse.
3ª Feira, 10.20: O rapaz do reboque é estranhamente simpático. Diz-te "Voçê tem direito a tudo". Depois pausa e acrescenta, "Menos a jantar". Entras tenso para dentro da cabine para assinar uns papéis e pensas que se fosses uma pessoa normal até ias na onda, sempre tinhas uma história muito boa para contar.
4ª Feira, 23.05: Chegas a casa do trabalho, jantas dois iogurtes e morangos, tomas banho e sais a correr para o B.A. Enorme momento de tédio num bar de livros, seguido de um melhor momento no Clube da Esquina.
5ª Feira, 16.00-02.00: contestação, intervalada com "internets".
6ª Feira, 20.52: acometido por um vírus o relógio do pc do escritório pára sem dares por isso. Quando dás por isso são 21.40. Apagas as luzes a correr. Deixas várias vezes o carro de substituição ir a baixo na rampa da garagem, sob os olhares divertidos do segurança.
Sábado, 17.01: Anotas virtuosamente frases como "Corporate Governance is about separation of supervision and managagement in the structure of a corporation" e The anti frustration rule in hostile takeovers means that the management of a target company may not take any action that might frustrate a bid without express consent from the shareholders (article 9 of the Takeover Directive) numa folha de papel que de certeza que não vais ter tempo de reler.

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