quinta-feira, julho 03, 2008

como um mutante

podias falar de várias coisas, uma vez que as últimas semanas têm matéria suficiente. podias falar da troca de e-mails azeda acerca de um presente de casamento. podias falar do exame horrendo, feito ao calhas. ou da vista do oitavo andar do ritz. ou dos teus anos, passados numa tarde de compras, principalmente funcionais. ou do jantar alucinante, alguns dias depois. ou da ressaca do dia seguinte (para não falar do acordar propriamente dito, somewhere else). ou dos policiais da colecção vampiro que voltaste a ler passado 15 anos.ou do casamento. mas do que vale a pena mesmo falar é do maravilhoso concerto de ontem da Rita Lee. à primeira vista, a vida ideal seria a vivida numa letra da Rita Lee, cheia de água fresca, banhos de espuma, sexo por telepatia, eternos domingos. mas existe (ainda bem) um lado mais negro nas músicas dela, tipo uma lâmina escondida no algodão doce - nessa canoa furada, remando contra a maré, beija minha boca, até me matar, não quero luxo nem lixo, minha cara de caveira, vai abrir a geladeira, e, claro, como um mutante, no fundo sempre sozinho, seguindo o meu caminho. deu de tudo, incluindo uma das tuas preferidas e claramente não uma das mais conhecidas pela plateia que lá estava para ouvir o lança perfume ("Do meu esconderijo do milésimo andar, espio todo o dia sua vida secreta"). o mania de voçê ganha aos pontos ao sexual healing como música de cama. e um dos melhores (e mais camp) momentos da noite foi uma antiga das Frenéticas chamada Vingativa ("eu tenho asco de voçê!"), com direito a cuspidela e tudo. e, claro, ela apresentar-se como "e eu sou Ivette Sangalo". inté!