terça-feira, fevereiro 10, 2009

truly desperate housewives


"I was bored. That's part of what I'm trying to say. I don't think I've ever been more bored or depressed and fed up in my life than I was last night. (...) I remember looking at you and thinking "God, if only he'd stop talking". Because everythinh you said was based on this premise of ours that we're somehow very special and superior to the whole thing, and I wanted to say "But we're not! Look at us! We're just like the people you're talking about! We are the people you're talking about!" I sort of had - I don't know, contempt for you, because you couldn't see the terrific fallacy of the thing. And then this morning when you left, when you're backing the car around down at the turn, I saw you look back up at the house as if it was going to bite you." - Richard Yates, Revolutionary Road.

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sexta-feira, janeiro 09, 2009

retrospectiva

Virtuous in the spring, slutty in the winter.
(e que este ano seja ao contrário. dá muito mais jeito).

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terça-feira, novembro 04, 2008

falta de paciência

Elaine: Okay, so you were violated by two people while you were under the gas. So what? You're single. Seinfeld: But I'm damaged goods now.
Elaine: Join the club.

quinta-feira, setembro 18, 2008

stand in the back or

or be the star...
ups: into the groove (as always), borderline, she's not me, beat goes on / get stupid, human nature, miles away, devil wouldn't recognize you, o rapaz ao teu lado que após 1 hora e meia de espera em silêncio discreto cantou, qual rouxinol , o you must love me inteiro e te fez quase apaixonares-te por ele; a (boa) visão do palco; give it 2 me, o sing a long com estranhos, e, enfim, o concerto (quase) todo.
downs: hung up versão guitarra (meh), os ciganos in general, o "hablas espanol" no intragável spanish lesson, a colecção de estrumpfes do sexo feminino que esteve atrás de ti durante 2 horas a queixar-se de que não ia ver nada num dos sítios completamente planos do recinto; o recinto; as pessoas que vão ver a Madonna hà espera de ter uma epifania.

domingo, agosto 03, 2008

cold summer

quinta-feira, julho 31, 2008

sisters scissors

quarta-feira, julho 16, 2008

like life

"Last year she had gone to a doctor, who had looked at her throat and a mole on her back, studying them like Rorschachs for whatever he might see in them. He removed the mole and put it floating in a pathologist's vial, a tiny marine animal. Peering in at her throat, he said "Precancer" - like a secret or a zodiac sign.
"Precancer" she had repeated quietly, for she was a quiet woman. "Isn't that...like life?". She was sitting, and he was standing(...) He took her wrist and briefly squeezed."It's like life, but it's not necessarily life".
Lorrie Morre, Like Life

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quarta-feira, julho 09, 2008

baby did a bad, bad, thing


"Oh...I borrowed your razor...and--well, you'll read all about it. Some blonde bitch saw me, but I'll get her. "
("Dressed to Kill, Brian de Palma)

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quinta-feira, julho 03, 2008

como um mutante

podias falar de várias coisas, uma vez que as últimas semanas têm matéria suficiente. podias falar da troca de e-mails azeda acerca de um presente de casamento. podias falar do exame horrendo, feito ao calhas. ou da vista do oitavo andar do ritz. ou dos teus anos, passados numa tarde de compras, principalmente funcionais. ou do jantar alucinante, alguns dias depois. ou da ressaca do dia seguinte (para não falar do acordar propriamente dito, somewhere else). ou dos policiais da colecção vampiro que voltaste a ler passado 15 anos.ou do casamento. mas do que vale a pena mesmo falar é do maravilhoso concerto de ontem da Rita Lee. à primeira vista, a vida ideal seria a vivida numa letra da Rita Lee, cheia de água fresca, banhos de espuma, sexo por telepatia, eternos domingos. mas existe (ainda bem) um lado mais negro nas músicas dela, tipo uma lâmina escondida no algodão doce - nessa canoa furada, remando contra a maré, beija minha boca, até me matar, não quero luxo nem lixo, minha cara de caveira, vai abrir a geladeira, e, claro, como um mutante, no fundo sempre sozinho, seguindo o meu caminho. deu de tudo, incluindo uma das tuas preferidas e claramente não uma das mais conhecidas pela plateia que lá estava para ouvir o lança perfume ("Do meu esconderijo do milésimo andar, espio todo o dia sua vida secreta"). o mania de voçê ganha aos pontos ao sexual healing como música de cama. e um dos melhores (e mais camp) momentos da noite foi uma antiga das Frenéticas chamada Vingativa ("eu tenho asco de voçê!"), com direito a cuspidela e tudo. e, claro, ela apresentar-se como "e eu sou Ivette Sangalo". inté!

quarta-feira, junho 18, 2008

smoke the days away into the evening

quinta-feira, junho 12, 2008

erase and rewind

metade das raparigas que entrevistas durante a tarde professam ser adeptas de football quando inquiridas sobre o que gostam de fazer nos tempos livres. não sabes se esta tendência, que tens visto aumentar ao longo dos anos, será pior se for autêntica ou mera pressão social; escolhes a primeira hipótese; decide, após alguma consideração sobre o assunto, que esta não é uma reflexão sexista mas um sinal de nivelamento por baixo; por outro lado, metade dos rapazes não mencionam o tema (possivelmente por outras razões). observas as dezenas de carros à espera para encher os depósitos de gasolina, o que intensifica o tom de irrealidade dos últimos dias. vês finalmente "A Hora do Lobo" ( it is the hour when most people die and are born. It is the hour when the sleepless are haunted by their deepest fear, when ghosts and demons are most powerful.the hour between night and dawn) do Ingmar Berman. não ficas muito impressionado, é uma colecção de pesadelos vagamente interessantes e quase perturbadores. Na Visão lês que a Judite de Sousa afirma já ter feito entrevistas completamente transtornada (as if they would be any different, baby). és objecto de cumprimentos efusivos de caras meramente conhecidas. em alfama, 80% da população alien simula estar a divertir-se imenso ao som de um seminarista que canta as doce fora de tom. uma amiga tua quase se envolve numa rixa com uma nativa. ao jantar discutem a relação doentia com comida de uma amiga vossa, cuja ausência torna o jantar menos divertido. ida ao ginásio em piloto automático. domingo doente. arrependes-te de não voltar ao liceu. na discoteca regressas ao liceu ("o meu amigo quer conhecer-te"). bebes champagne a ouvir disparates de um futuro familiar. no restaurante trocas cumprimentos de profundo cinismo, que no momento achas que foram bastante autênticos. atrasas-te por passares 3/4 de hora à procura de umas calças enquanto insultas (mentalmente) a tua empregada. voltas a ficar bastante encantado com o love is a losing game (rock'n'rio notwithstanding). voltas a ler a Clarice Lispector: "Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim". decide que por mais que te possas rever na última frase, terá que ser evitada a todo o custo. cai-te um ovo do céu. no capot do carro, claro.

terça-feira, maio 20, 2008

cheers



morreu hoje uma amiga tua. conheciam-se há cerca de 7 anos, mas desde aí mantiveram uma amizade constante e bem disposta. uma amizade sobretudo de jantares e saídas e passagens de ano. lembraste-te especialmente dos jantares, de estares sentado com ela várias vezes à mesa. eram ambos adeptos de beber champagne durante as refeições. eram ambos adeptos de vinho e cigarros e bons restaurantes. gostavas da forma arrastada como ela dizia o teu nome. gostavas de forma como ela se mostrava sempre contente por te ver. de como se ria das tuas piadas. não era uma amiga intíma, mas era uma amiga com quem estavas várias vezes, mais vezes até do que outros amigos e amigas que poderias considerar mais chegados. só no último ano, já depois dela receber as más notícias - embora sem nunca saber quão más - jantaram várias vezes. no carnaval na bica do sapato. no lucca, pouco depois (ou pouco antes). num restaurante indiano, onde fizeram questão de ficar ao pé um do outro (ainda te lembras do péssimo gin tónico que beberam antes de jantar). nos santos populares, numa tasca da bica, onde tiveram horas em pé antes de arranjar mesa. em julho, num páteo em alcântara, e em setembro, no terraço do hotel do Bairro Alto. E, por fim, perto do Natal, onde ela te contou que tinha recebido notícias não muito boas - outra vez. é inevitável que a associes a bons momentos. foram sempre (ainda que mitigados por uma ou outra confidência - lembras-te dela a chorar no parque do estacionamento do Saldanha por causa de uma discussão completamente idiota durante o jantar). hoje no velório só pensavas que era por causa de pessoas como ela que os funerais irlandesdes fazem algum sentido. por isso, aqui vai: cheers, mais dear, wherever you are. and thank you. que tivéssemos feito mais vezes tchin-tchin.

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segunda-feira, maio 05, 2008

Hell Week

2ª Feira, 0041. Perdido no Porto (apropriadamente ao som do novo disco dos Portishead), à procura do Hotel que já não se chama Meridien e por isso podes ter passado por ele sem dar conta. Em desespero de causa, segues um táxi que te leva lá por cinco euros.
3ª Feira, 21. 37: Tu e um fulano de fato de treino preto brilhante estãos os dois sentados na garagem do prédio dele (dentro do carro), que era suposto ser nas Olaias mas afinal é mesmo em Chelas, a preencher a declaração amigável. Ele não sabe preencher formulários e suspeita das tuas sugestões, o que não é de todo absurdo uma vez que acabaste de lhe bater com o carro. Moradores do prédio entram e saiem da garagem observando-os com interesse.
3ª Feira, 10.20: O rapaz do reboque é estranhamente simpático. Diz-te "Voçê tem direito a tudo". Depois pausa e acrescenta, "Menos a jantar". Entras tenso para dentro da cabine para assinar uns papéis e pensas que se fosses uma pessoa normal até ias na onda, sempre tinhas uma história muito boa para contar.
4ª Feira, 23.05: Chegas a casa do trabalho, jantas dois iogurtes e morangos, tomas banho e sais a correr para o B.A. Enorme momento de tédio num bar de livros, seguido de um melhor momento no Clube da Esquina.
5ª Feira, 16.00-02.00: contestação, intervalada com "internets".
6ª Feira, 20.52: acometido por um vírus o relógio do pc do escritório pára sem dares por isso. Quando dás por isso são 21.40. Apagas as luzes a correr. Deixas várias vezes o carro de substituição ir a baixo na rampa da garagem, sob os olhares divertidos do segurança.
Sábado, 17.01: Anotas virtuosamente frases como "Corporate Governance is about separation of supervision and managagement in the structure of a corporation" e The anti frustration rule in hostile takeovers means that the management of a target company may not take any action that might frustrate a bid without express consent from the shareholders (article 9 of the Takeover Directive) numa folha de papel que de certeza que não vais ter tempo de reler.

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terça-feira, abril 29, 2008

Tick tock, tic tock, tick tock

"She philosophically noted dates as they came past in the revolution of the year (...) also her own birthday; and every other day individualized by incidents in which she had taken some share. She suddenly thought one afternoon, when looking in the glass at her fairness, that there was yet another date of greater importance to her than those; that of her own death, when all these charms would have disappeared; a day which lay sly and unseen among all the other days of the year, giving no sign or sound when she passed over it; but not the less surely there. When was it? Why did she not feel the chill of each yearly encounter with such a cold relation? (...) Of that day, doomed to be her terminus in time through all the ages, she did not know the place in month, week, season or year".

Thomas Hardy, Tess of the D'ubervilles

"À noite, em casa, fico nua na frente do espelho, estico um braço para o lado e balanço, e depois o outro.Como é que eu nunca havia visto essa pelanca frouxa, que cai do meu braço como uma carne morta? E as rugas do rosto? E os tornozelos grossos? E a flacidez que cobre o meu corpo como uma tripa nojenta? Eu não era assim. Meu Deus, é melhor morrer logo".

Rubem Fonseca, Pequenas Criaturas

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segunda-feira, abril 14, 2008

Words of Advice

Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não tá com nada
É uma festa na prisão.

domingo, março 09, 2008

Mind the Gap

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

i am no one you know

acordas, não cedo, mas não muito tarde. falas para o seguro do carro. no escritório tratas rapidamente de dois assuntos chatos que não podiam ser evitados. combinas um almoço com uma amiga tua com quem não falas há anos. durante o almoço, os dois tacitamente evitam falar sobre o motivo pelo qual não falam há anos, e que, de facto, já nem sequer é bem claro. passam em revistas ao que têm feito e, alternadamente, a uma data de pessoas que conhecem. o tema da conversa é, repetidamente, o porquê de que x ou Y se zangaram. filosofam num tom ligeiro sobre o assunto. descobres que um casal que foi bastante teu amigo, cada um por si, é "infelicíssimo". regressas ao trabalho estranhamente abstraído. a meia da tarde recebes duas notícas no espaço de dois segundos, uma nota que estavas à espera (boa) e o montante do teu "bónus" anual (meh). descombinas uma ida ao cinema. passas uma grande parte da tarde a olhar para a janela com a porta da tua sala fechada. vais às compras, e tens um momento estranho à saído do corte inglés. jantas sushi enquanto vês La separation. continuando o boom de cinema françês, em seguida, vês o Rendez-Vous do André Techiné (descobres que "One of the trademarks of his filmography is the lyrical examination of human relations in a sensitive but unsentimental way.") tal como na música da Marisa Monte, pensas que andas "meio desligado". mérde.

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sábado, dezembro 29, 2007

Promises, promises

Resoluções a não serem cumpridas no novo ano:

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz.

(in A História de Lily Braun, Chico Buarque)

sábado, dezembro 15, 2007

the art of losing isn't hard to master

coisas que perdeste durante o ano prestes a chegar ao fim: uma pulseira de cabedal preta comprada na H&M há dois anos e muito apreciada; o livro da peça "Closer" do Patrick Marber (que tens ainda a esperança vaga de encontrar debaixo de uma pilha de livros qualquer); 4 pneus do carro e um par de patins em linha; um vidro do carro do lado do lugar do morto (seis meses mais tarde); uma empregada doméstica; 16 colegas de trabalho; um par de luvas castanhas de cabedal herdadas do teu pai; a paciência para jantar com um grupo de amigo tremendamente aborrecido que conheces há anos e anos; uma máquina de café; o cartão da garagem do escritório; o cartão do parque da faculdade; isqueiros vários; um blackberry; entre cerca de 50 minutos a uma hora e meia de um Sábado à noite (ou madrugada de domingo) em Outubro; umas meias de ski; as chaves de casa (e da garagem, e do correio, e do elevador); uns óculos de sol.

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quinta-feira, dezembro 13, 2007

not knowing

Do you know where you're going to?
Do you like the things that life is showing you?
Where are you going to?
Do you know...?
Do you get
What you're hoping for
When you look behind you
There's no open door
What are you hoping for?
Do you know...?